Pensamentos de uma pré-caloira sobre o futuro


Vítor Hugo uma vez disse “Quem abre uma escola fecha uma prisão” e eu não pude deixar de começar assim estas poucas linhas. Penso que, no momento específico que vivemos, não se podia adequar mais.


A pandemia tem feito com que todos sintamos um pouco o que é uma vida com menos liberdades, o confinamento tem feito com que todos nos sintamos um pouco presos.


No meio de tudo isto, que lugar tem a Educação? Como é possível aprender através de um ecrã, num mundo que vemos, aos poucos, desabar, em meio a uma crise sanitária, económica, política, mas, acima de tudo, humana?


Quero arriscar que a escola, o conhecimento, a Educação têm sido o que tudo salva: para além do óbvio (podemos sair de casa para ir à escola), há outros aspetos que gostaria de realçar. A vacina, a logística, as restrições, as medidas de segurança, a notícias, a total reinvenção do comércio, das plataformas, do trabalho vieram mostrar que há muito mais a valorizar do que poderíamos pensar à primeira vista. A Biologia, o Direito, a Engenharia Informática são áreas que nos assolam quase automaticamente, mas que não devem retirar o espaço às outras, que também tão importantes se revelaram neste período que vivemos: a História, a Psicologia, as Artes (quem mais acabou umas quantas séries ou visitou virtualmente uns museus?). Tudo isto foi (e é) necessário no contexto que (ainda) vivemos.


A Educação é, portanto, um fator crucial porque, para além de tudo o que foi dito, atravessamos momentos conturbados, momentos de verdadeiro perigo iminente, extremo. A História ensina a Humanidade que são estes os momentos-chave, determinantes. As restrições de direitos que têm a todos sido impostas, a emergência de radicalismos e movimentos extremados é algo que, mais que nunca, nos deve deixar alerta.


Qual é, portanto, o papel das instituições de ensino? Para além de procurarem vacinas e desenvolverem plataformas de comunicação, são fundamentais porque incutem (ou deviam incutir) valores, abrir mentes, potenciar, acima de tudo, o Espírito Crítico, ensinar a Pensar (que, sim, necessita de maiúscula).


Gostava de, no próximo ano letivo, ingressar em Estudos Clássicos, na FLUL. Como relaciono tudo isto? De que forma estudar Latim e Literatura Antiga contribui para o desenvolvimento do Espírito Crítico, para o progresso civilizacional, para a Política? Na verdade, é algo bastante simples. Estudarei História, as raízes da cultura Europeia, Línguas, Arte. Conhecer o berço da civilização Ocidental pode muito acrescentar e é, de facto, um enorme auxílio na compreensão do mundo em que estamos inseridos. A forma de nos comunicarmos, os nossos mecanismos linguísticos, a nossa forma de produzir Arte, o percurso geo-político que trilhámos, a nossa matriz cultural, as nossas tradições continuam a desempenhar um papel determinante na Sociedade.


Apesar de parecer um paradoxo, uma das melhores e mais eficazes formas de nos mantermos a par da atualidade é saber História. É constantemente procurar mais. Quero ser uma cidadã que sabe o que acontece neste país, na Europa, no Mundo. Não me quero deixar enganar por lobbys convidativos ou por ideologias que soam bem.


Assim, a Educação é fulcral. Ler é fulcral. Estudar é fulcral. Estar informado é fulcral.


Há pouco menos de 50 anos, os nossos avós saíram à rua reclamando para o nosso país a Democracia. Tinham algo a dizer. Hoje, muitos de nós deitam isto fora. As nossas taxas de abstenção são, verdadeiramente, vergonhosas. E, dentro de uns dias, realizam-se novas eleições. Não as tomemos como algo garantido. Façamo-nos ouvir, ponhamos em prática as nossas ideias e valores. Exerçamos um direito que tanto custou conquistar.


Já dizia Vítor Hugo “Quem abre uma escola fecha uma prisão”.

Fechemos todas.



Lia Gualdino Alves




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